Os Primeiros 40 Dias

Como cuidar de si mesma e do seu bebê no puerpério, com dicas de autocuidado e recuperação.

Amamentação Sem Mistérios

Um guia prático com técnicas, dicas e soluções para os desafios mais comuns da amamentação.

Guia Completo do Parto Natural

Descubra como se preparar física e emocionalmente para um parto natural, respeitoso e empoderador.

Pega correta na amamentação: como fazer

Aprenda pega correta amamentação como fazer, identificar sinais de boa sucção, evitar dor e saber quando buscar apoio no puerpério.
Pega correta na amamentação: como fazer

A primeira mamada que dói de um jeito que faz você prender a respiração costuma virar uma pergunta urgente: “Eu estou fazendo errado?”. Na maioria das vezes, não é falta de vontade, nem “bico ruim”, nem leite fraco. É ajuste fino de pega, posição e manejo – e isso tem solução.

Este texto é um guia prático para você entender, na prática, pega correta na amamentação: como fazer, o que observar no corpo do bebê e no seu corpo, e quando vale buscar ajuda para proteger o seu peito e a sua experiência.

O que é “pega correta” e por que ela muda tudo

Pega correta não é o bebê “abocanhar o bico”. É o bebê abocanhar uma boa porção da aréola, com a boca bem aberta, lábios e língua trabalhando para ordenhar a mama de forma eficiente. Quando isso acontece, duas coisas costumam melhorar ao mesmo tempo: o bebê consegue transferir leite e você sente menos dor.

Quando a pega fica rasa (só no mamilo), o mamilo é comprimido e “beliscado”. Aí aparecem sinais bem conhecidos no puerpério: fissuras, ardor, bolhas, mamilo achatado depois da mamada, além de mamadas longas e um bebê que parece sempre insatisfeito. A pega correta, por outro lado, reduz trauma no mamilo e ajuda a prevenir ingurgitamento e obstruções porque o esvaziamento fica mais eficiente.

Pega correta amamentação como fazer: antes de colocar o bebê no peito

O momento de encaixar o bebê muda muito quando você prepara o cenário. Escolha uma posição em que o seu corpo esteja sustentado – costas apoiadas, ombros soltos, pés firmes ou com um apoio. Se você já começa tensa e inclinada, é comum “oferecer” o peito com o tronco e acabar com o bebê mal alinhado.

Traga o bebê até você, e não você até o bebê. Parece detalhe, mas é um divisor de águas para o seu pescoço, para o seu punho e para a pega. O bebê precisa estar bem próximo, barriga com barriga, com o corpo alinhado (orelha, ombro e quadril na mesma linha). Se a cabeça fica virada e o corpo fica “de lado”, ele tende a puxar o mamilo para compensar.

Uma dica simples: observe o nariz do bebê. Ele deve estar na altura do mamilo antes de você pedir a boca bem aberta. Isso favorece que ele incline levemente a cabeça para trás e abocanhe mais aréola inferior, o que costuma ser mais confortável.

O encaixe da boca: o passo a passo que funciona

Na prática, o que você está buscando é um “encaixe grande”, e não um “bico encaixado”. Você pode estimular o reflexo de abrir a boca tocando suavemente o mamilo no lábio superior do bebê. Espere a boca abrir bem, como um bocejo. Não tenha pressa nessa etapa.

Quando a boca abrir grande, aproxime o bebê de forma rápida e firme (sem brusquidão), direcionando o queixo dele para tocar a mama primeiro. O queixo encostado e o nariz mais livre costumam indicar que a boca pegou mais parte de baixo da aréola.

Se você precisar segurar a mama, prefira uma “mão em C” (polegar acima e dedos abaixo), longe da aréola. Segurar muito perto pode achatar a aréola e atrapalhar o encaixe.

Sinais de que a pega está profunda

Você não precisa decorar regras, mas vale observar alguns sinais consistentes. O bebê tende a ficar com os lábios evertidos (viradinhos para fora), o queixo encostado na mama e bochechas arredondadas, sem “covinhas” marcadas. O ritmo de sucção costuma mudar: no começo, sucções mais rápidas para estimular; depois, sucções mais lentas e profundas, com pausas.

Do seu lado, a sensação esperada é de puxão e pressão, não de corte ou queimação persistente. Um desconforto leve no início pode acontecer, principalmente nos primeiros dias, mas dor forte ou que piora ao longo da mamada é um sinal de alerta.

Como deve ficar o mamilo ao final

Depois de soltar, o mamilo tende a ficar alongado, mas não achatado em “batom” e não com uma faixa branca. Se ele sai amassado, com marca evidente ou com dor latejante, é bem provável que a pega esteja rasa ou que haja alguma tensão na boca do bebê.

Quando dói: como corrigir sem “aguentar” no sofrimento

A ideia de que “amamentar dói mesmo” faz muita mulher insistir em uma pega ruim até abrir fissura. Você não precisa pagar esse preço.

Se doeu, interrompa a sucção com cuidado. Não puxe o bebê direto, porque isso piora o trauma. Coloque o dedo mínimo no canto da boca do bebê para quebrar o vácuo e solte. Reposicione e tente novamente.

Às vezes, um ajuste pequeno resolve: aproximar mais o bebê, alinhar o corpo, elevar um pouco o quadril do bebê para ele não “escorregar” na sua barriga, ou esperar uma abertura maior da boca antes de encaixar. Em muitos casos, o problema não é “força” e sim ângulo.

Se a fissura já existe, vale priorizar pega profunda, variar posições e manter o mamilo seco ao final (excesso de umidade pode atrasar cicatrização). A própria amamentação, quando a pega está correta, costuma ser parte do tratamento, mas se a dor impede você de amamentar, procure avaliação: não é para atravessar o puerpério sozinha.

Posições que ajudam a pegar melhor (e quando usar)

Não existe uma posição única “certa”. O certo é o que dá estabilidade, alinhamento e conforto para vocês.

A posição tradicional (cradle) pode funcionar bem, mas algumas pessoas têm mais facilidade com a posição cruzada (cross-cradle), porque ela dá mais controle da cabeça do bebê no encaixe inicial, especialmente nos primeiros dias.

A posição “bola de futebol americano” costuma ajudar quando a mama é mais cheia, quando você teve cesárea e quer proteger a cicatriz, ou quando precisa enxergar melhor a boca do bebê. Já a posição deitada pode ser ótima para descanso e para mamadas noturnas, mas vale garantir que o bebê esteja bem alinhado e próximo para não buscar o mamilo “de longe”.

O ponto em comum de todas: bebê bem perto, corpo alinhado, queixo na mama e boca bem aberta para um abocanhamento grande.

Situações em que “depende” e você pode precisar de suporte extra

Existem cenários em que a técnica básica está correta, mas ainda assim a pega não estabiliza. Nesses casos, insistir sozinha pode virar um ciclo de dor, ansiedade e baixa transferência de leite.

Um exemplo é quando o bebê tem muita sonolência, prematuridade ou dificuldade de sustentar a sucção. Outro é quando há tensão oral, dificuldade de elevar a língua ou suspeita de frênulo lingual curto. Também pode acontecer de a mama estar muito ingurgitada, com aréola tensa, e o bebê não conseguir abocanhar bem. Nessa situação, amolecer um pouco a aréola antes da mamada, com ordenha manual suave, pode facilitar o encaixe.

Há ainda o caso de reflexo de ejeção forte, em que o bebê engasga, solta e pega de novo, machucando o mamilo. Aqui, posições mais reclinadas e pausas para arrotar podem ajudar, mas a avaliação individual faz diferença.

Se você está vivendo dor intensa, fissura que não melhora, bebê que não ganha peso como esperado, menos fraldas molhadas do que o padrão para a idade, ou mamadas que parecem “sem fim” com irritação constante, isso é motivo legítimo para pedir ajuda profissional.

Como saber se o bebê está mamando de verdade

A pega bonita na boca é um bom começo, mas o que nos dá segurança é a transferência de leite. Você pode observar de forma simples: deglutições audíveis depois que o leite desce, relaxamento do corpo do bebê, mãos que ficam mais soltas e períodos de sucção mais profunda com pausas.

As fraldas também contam história. No começo, o cocô muda de mecônio para fezes mais claras ao longo dos primeiros dias. E, com o passar das semanas, um bebê que mama bem tende a ter ganho de peso adequado e boa vitalidade. Se algo não fecha, não é falha sua – é sinal para ajustar manejo e checar o que está acontecendo.

Seu corpo importa: conforto e direitos no cuidado

Amamentação não é prova de resistência. É relação, fisiologia e apoio. Você tem direito a informação clara, a ser examinada com consentimento, a ter suas queixas levadas a sério e a receber orientação sem culpa.

Se em um atendimento você ouvir que “é assim mesmo” diante de dor intensa, sangramento no mamilo ou suspeita de baixa transferência, isso não é cuidado baseado em evidências. Trocar de profissional, pedir segunda opinião e buscar consultoria em amamentação pode ser um ato de autonomia, não de “exagero”.

Se você quer aprofundar seu preparo para o pós-parto e amamentação com uma abordagem prática e respeitosa, a A Casa de Parto reúne conteúdos e guias para apoiar suas escolhas com mais segurança.

Quando buscar ajuda imediatamente

Procure suporte o quanto antes se houver febre, calafrios, vermelhidão e dor intensa na mama (pode ser mastite), se o bebê estiver muito sonolento e com dificuldade de acordar para mamar, se houver sinais de desidratação (poucas fraldas molhadas, boca seca, letargia) ou se a dor estiver impedindo você de amamentar.

Quanto mais cedo você ajusta a pega e a estratégia, menor a chance de transformar um começo difícil em um sofrimento prolongado.

A amamentação se constrói em dias, não em uma única mamada. Seu bebê aprende, seu corpo se adapta e você também. O que você não precisa aceitar é dor como pedágio para “dar certo” – cuidado e informação bem aplicada mudam o caminho.

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